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A Guavira - Tradição do Cerrado Sul-Mato-Grossense
  Edson Paim,    Terça, 03 de Junho de 2014 - 22:04

A guavira é um arbusto silvestre da família das Mirtáceas (a mesma da goiaba, da jaboticaba e da pitanga), gênero botânico Campomanesia, que cresce nos campos e pastagens. Por fora ela lembra uma goiabinha, mas o sabor é totalmente diferente de qualquer outro fruto. Existem muitas espécies de plantas diferentes que recebem o nome de guavira, algumas atingindo o porte de árvores. Em Mato Grosso do Sul temos as espécies Campomanesia adamantinum e Campomanesia pubescens.



O fruto, um dos mais característicos do nosso Cerrado, já foi devidamente homenageado pela violeira Helena Meirelles em seu CD “Flor da Guavira”. Quem vem para a região na época certa (geralmente entre novembro e dezembro) não pode ir embora sem prová-los - seja in natura, em sorvetes ou na cachaça.





ORIGEM

Nativa do Brasil, especialmente do Cerrado das regiões Sudeste e Centro-Oeste. Disseminou-se para outros países da América do Sul, sendo bastante encontrada na Argentina, no Uruguai e no Paraguai. A palavra "guabiroba", como a planta é conhecida nos estados de São Paulo, Minas Gerais e Goiás, vem dos termos tupi-guarani "wa’bi" + "rob", que significam "árvore de casca amarga". Por sua copa vistosa, é comumente usada em projetos de paisagismo como árvore ornamental.

> Outros Nomes Populares: gabiroba, gabirobeira, gabirova, gavirova, goiaba-da-serra, guabiroba-da-mata, guabirobeira, guabirova, guariroba, guarirova, guavira, guaviroba e guavirova.

> Outros Idiomas: guariroba ou guabirá (espanhol).





PROPRIEDADES E UTILIZAÇÃO

> Composição Química: proteínas, carboidratos, niacina, sais minerais (ferro, fósforo, cálcio), vitaminas do complexo B.

> Partes Usadas: Frutos, folhas e brotos.

> Propriedades Medicinais: adstringente e antidiarréica. A infusão das folhas é relaxante para aliviar dores musculares, através de banhos de imersão.

> Usos na culinária: os frutos são consumidos in natura e usados no preparo de geléias, sucos, doces, sorvetes, pudins, licores, batidas ou curtidos na cachaça.





CULTIVO E CONSERVAÇÃO

Cresce em clima tropical quente, com baixo índice pluviométrico. A exposição solar para o cultivo deve ser plena. A propagação se dá através de sementes, que perdem rapidamente o poder germinativo, por isso devem ser semeadas logo após a sua extração dos frutos. Pode ser cultivada em canteiros. Não é exigente quanto ao solo, crescendo inclusive em terrenos pobres. No entanto, quando é cultivada apresenta maior preferência pelos solos do tipo podzólico vermelho-amarelo. A necessidade de água é moderada. Os frutos podem ser conservados em sacos plásticos na geladeira ou freezer.





QUESTÕES ECOLÓGICAS

É importante ressaltar que a utilização da guavira nos moldes tradicionais não pode ser considerada como uma atividade sustentável. Afinal, os frutos são colhidos pelas pessoas em grandes quantidades e não há preocupação em replantar as sementes, além do grande volume consumido pelo gado. Conseqüentemente, há risco de que em médio prazo os estoques naturais deste fruto se esgotem, caso não sejam desenvolvidos trabalhos de conscientização e replantio de mudas. A limpeza de áreas de pastagem também elimina os guavirais.



Dentro deste conceito, a realização de eventos como o “Festival da Guavira”, que acontece todo ano em Bonito-MS, pode vir a ser um importante passo na recuperação dos guavirais, além do evidente resgate cultural proposto pela programação.



CURIOSIDADES

Diz-se que “em época de guavira dá muita cobra”. Provavelmente isto ocorre pelo fato de diversas espécies de aves procurarem os frutos, atraindo assim as cobras que se alimentam de pássaros. Outra lenda – não confirmada – seria que isto serve como um argumento para evitar que as mulheres cultivem o hábito de sair ao mato para colher os frutos, pois “mulher é que vai pro Cerrado catar guavira” (a frase, da maneira que foi transcrita, não deixa claro se seu autor vê este hábito como algo positivo ou negativo).



A guavira pode ser também considerada afrodisíaca. Não, não se trata de mais uma daquelas invenções para vender produtos... Neste caso, é porque o povo diz que quando os casais combinam de “ir pro mato catar guavira”, nove meses depois os índices de natalidade aumentam um pouquinho...



A época da guavira (principalmente em novembro) é tempo de ver as pessoas no campo com uma sacolinha na mão, colhendo guavira para comer ou vender “por litro” na cidade. Na natureza, as flores são polinizadas por mamangavas do gênero Bombus.



Para quem vem de outras partes do Brasil, este fruto pode trazer recordações da infância, quando os Cerrados ainda eram preservados e as pessoas podiam ir ao campo colhê-los. Um exemplo é o relato de um guia de turismo local que, acompanhando alguns turistas, parou na beira da estrada para colher umas guaviras. Uma senhora do grupo chupou um fruto e pôs-se a chorar, devido às saudosas lembranças de sua juventude trazidas pelo sabor.





FONTES CONSULTADAS



“Catando Guavira no Mato” - texto de Daniel De Granville, apresentado no site Portal Bonito em 04 de novembro de 2001 (Bonito, MS)



“Cerrado: espécies vegetais úteis” – livro de Semíramis P. de Almeida et al (Embrapa, Brasília-DF, 1998)



“Frutas nativas dos cerrados” – livro de José A. da Silva (Embrapa, Brasília-DF, 1994)



“GUIA DO VISITANTE” - PARQUE ECOTURÍSTICO DA BODOQUENA – BONITO, MS



Pesquisa na internet - site www.ervasdositio.com.br



“Plantas da Região Utilizadas na Medicina Popular” – apostila do guia de turismo Valdemir Garcia Martins (Bonito, MS)



Prof. Dr. Arnildo Pott (EMBRAPA) - consulta direta (Campo Grande , MS)

Por Daniel De Granville







A Guavira - Tradição do Cerrado Sul-Mato-Grossense


A guavira é um arbusto silvestre da família das Mirtáceas (a mesma da goiaba, da jaboticaba e da pitanga), gênero botânico Campomanesia, que cresce nos campos e pastagens. Por fora ela lembra uma goiabinha, mas o sabor é totalmente diferente de qualquer outro fruto. Existem muitas espécies de plantas diferentes que recebem o nome de guavira, algumas atingindo o porte de árvores. Em Mato Grosso do Sul temos as espécies Campomanesia adamantinum e Campomanesia pubescens.



O fruto, um dos mais característicos do nosso Cerrado, já foi devidamente homenageado pela violeira Helena Meirelles em seu CD “Flor da Guavira”. Quem vem para a região na época certa (geralmente entre novembro e dezembro) não pode ir embora sem prová-los - seja in natura, em sorvetes ou na cachaça.





ORIGEM

Nativa do Brasil, especialmente do Cerrado das regiões Sudeste e Centro-Oeste. Disseminou-se para outros países da América do Sul, sendo bastante encontrada na Argentina, no Uruguai e no Paraguai. A palavra "guabiroba", como a planta é conhecida nos estados de São Paulo, Minas Gerais e Goiás, vem dos termos tupi-guarani "wa’bi" + "rob", que significam "árvore de casca amarga". Por sua copa vistosa, é comumente usada em projetos de paisagismo como árvore ornamental.

> Outros Nomes Populares: gabiroba, gabirobeira, gabirova, gavirova, goiaba-da-serra, guabiroba-da-mata, guabirobeira, guabirova, guariroba, guarirova, guavira, guaviroba e guavirova.

> Outros Idiomas: guariroba ou guabirá (espanhol).





PROPRIEDADES E UTILIZAÇÃO

> Composição Química: proteínas, carboidratos, niacina, sais minerais (ferro, fósforo, cálcio), vitaminas do complexo B.

> Partes Usadas: Frutos, folhas e brotos.

> Propriedades Medicinais: adstringente e antidiarréica. A infusão das folhas é relaxante para aliviar dores musculares, através de banhos de imersão.

> Usos na culinária: os frutos são consumidos in natura e usados no preparo de geléias, sucos, doces, sorvetes, pudins, licores, batidas ou curtidos na cachaça.





CULTIVO E CONSERVAÇÃO

Cresce em clima tropical quente, com baixo índice pluviométrico. A exposição solar para o cultivo deve ser plena. A propagação se dá através de sementes, que perdem rapidamente o poder germinativo, por isso devem ser semeadas logo após a sua extração dos frutos. Pode ser cultivada em canteiros. Não é exigente quanto ao solo, crescendo inclusive em terrenos pobres. No entanto, quando é cultivada apresenta maior preferência pelos solos do tipo podzólico vermelho-amarelo. A necessidade de água é moderada. Os frutos podem ser conservados em sacos plásticos na geladeira ou freezer.





QUESTÕES ECOLÓGICAS

É importante ressaltar que a utilização da guavira nos moldes tradicionais não pode ser considerada como uma atividade sustentável. Afinal, os frutos são colhidos pelas pessoas em grandes quantidades e não há preocupação em replantar as sementes, além do grande volume consumido pelo gado. Conseqüentemente, há risco de que em médio prazo os estoques naturais deste fruto se esgotem, caso não sejam desenvolvidos trabalhos de conscientização e replantio de mudas. A limpeza de áreas de pastagem também elimina os guavirais.



Dentro deste conceito, a realização de eventos como o “Festival da Guavira”, que acontece todo ano em Bonito-MS, pode vir a ser um importante passo na recuperação dos guavirais, além do evidente resgate cultural proposto pela programação.



CURIOSIDADES

Diz-se que “em época de guavira dá muita cobra”. Provavelmente isto ocorre pelo fato de diversas espécies de aves procurarem os frutos, atraindo assim as cobras que se alimentam de pássaros. Outra lenda – não confirmada – seria que isto serve como um argumento para evitar que as mulheres cultivem o hábito de sair ao mato para colher os frutos, pois “mulher é que vai pro Cerrado catar guavira” (a frase, da maneira que foi transcrita, não deixa claro se seu autor vê este hábito como algo positivo ou negativo).



A guavira pode ser também considerada afrodisíaca. Não, não se trata de mais uma daquelas invenções para vender produtos... Neste caso, é porque o povo diz que quando os casais combinam de “ir pro mato catar guavira”, nove meses depois os índices de natalidade aumentam um pouquinho...



A época da guavira (principalmente em novembro) é tempo de ver as pessoas no campo com uma sacolinha na mão, colhendo guavira para comer ou vender “por litro” na cidade. Na natureza, as flores são polinizadas por mamangavas do gênero Bombus.



Para quem vem de outras partes do Brasil, este fruto pode trazer recordações da infância, quando os Cerrados ainda eram preservados e as pessoas podiam ir ao campo colhê-los. Um exemplo é o relato de um guia de turismo local que, acompanhando alguns turistas, parou na beira da estrada para colher umas guaviras. Uma senhora do grupo chupou um fruto e pôs-se a chorar, devido às saudosas lembranças de sua juventude trazidas pelo sabor.





FONTES CONSULTADAS



“Catando Guavira no Mato” - texto de Daniel De Granville, apresentado no site Portal Bonito em 04 de novembro de 2001 (Bonito, MS)



“Cerrado: espécies vegetais úteis” – livro de Semíramis P. de Almeida et al (Embrapa, Brasília-DF, 1998)



“Frutas nativas dos cerrados” – livro de José A. da Silva (Embrapa, Brasília-DF, 1994)



“GUIA DO VISITANTE” - PARQUE ECOTURÍSTICO DA BODOQUENA – BONITO, MS



Pesquisa na internet - site www.ervasdositio.com.br



“Plantas da Região Utilizadas na Medicina Popular” – apostila do guia de turismo Valdemir Garcia Martins (Bonito, MS)



Prof. Dr. Arnildo Pott (EMBRAPA) - consulta direta (Campo Grande , MS)





 Fonte:PAINEL DO PAIM

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